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Quebrando Mitos: Gasolina x Álcool

Texto por Ricardo Arcuri.

O fato de estarmos num País cheio de recursos naturais é como ser técnico de um bom time de futebol: temos a (feliz) dúvida de como trabalhar com tantas opções.

A ideia de ressuscitar o álcool como combustível veio para atender a demanda mundial pelos chamados “combustíveis verdes”, ou seja, aqueles que “agridem menos o meio ambiente”.

Pela baixa concentração de enxofre em sua composição, o volume de CO2 emitido por este combustível pode ser cinco vezes menor que os derivados do petróleo, apesar de trazer outros problemas.

E justamente por ser diferente, os cuidados também precisam ser revisados. Hoje, conto neste post um pouco longo o que é verdade e mentira quando se trata desses dois combustíveis.

Montadoras a beira de um ataque de nervos

O assunto é tão misterioso que nem mesmo as montadoras –link www.velocidade.org – sabem o que recomendar.

Como a tecnologia flex foi desenvolvida basicamente por empresas de autopeças, elas seguem as recomendações dessas fabricantes. O problema é que muitas vezes são criados mitos dentro das corporações que acabam por colocar dados nem sempre corretos nos manuais dos veículos. 

Uma montadora coloca no manual de seu sedã de luxo que os primeiros três mil quilômetros precisam ser rodados com álcool.

A ideia de um combustível no motor é simples: se entra é para ser queimado, então para o carro não importa muito o que entra, seja o motor novo ou velho. Sendo assim, essa história de primeiros tanques a gasolina é pura balela, pois pode-se funcionar perfeitamente nas duas formas.

Outra preocupação das montadoras é quanto a lubrificação no uso do álcool. Bom, essa já é uma preocupação genuína e irei comentar mais à frente.

Misturar os dois combustíveis é certo?

Amigos(as), por favor: evitem fazer isso. A mistura dos dois combustíveis ataca os bicos, diminuindo consideravelmente sua vida útil. Não significa que andar uma vez ou outra com tanque misturado seja um problema, afinal ao trocar de combustível sempre existirá uma mistura. O que recomendo é não misturar sempre, não tornar isso uma rotina.

Momento de troca de combustíveis

Esse é um momento complicado para a ECU, a centralina de controle da injeção eletrônica. Existem duas recomendações para uma situação de troca de combustíveis.

1– Quantidade de abastecimento: se o amigo(a) tem um tanquecom um combustível e quiser colocar um pouquinho do outro, então coloque nomínimo quatro ou cinco litros do novo. A centralina é programada para verificara mistura existente no tanque quando há um movimento da boia de nível dotanque. Se a quantidade de combustível diferente colocada for baixa, a boia nãomexe e a centralina trabalha com o regime do outro combustível. Isso podecausar detonações e, como consequência, quebra dos bicos e furo de pistões emcasos mais extremos.

2– Tempo de rodagem: se o amigo(a) for abastecer e trocarcombustível, por favor, não o faça se for rodar pouco. Fala-se em dezquilômetros de rodagem para a centralina fazer um reconhecimento perfeito damistura. Trocar de combustível e desligar o carro logo depois pode trazeralgumas situações indesejáveis no dia seguinte. Portanto, se quiser trocar,rode um pouco após o abastecimento.

Óleo lubrificante

Isso é um assunto chato e vai mexer no bolso. O certo é quese tem um carro flex e ocorre constantemente o abastecimento com álcool,deve-se usar óleo lubrificante para motores flex. Soa uma frescura, mas é ummal necessário.

Diferente da gasolina, o álcool gera água na sua queima. Essas gotas, além de empobrecer a lubrificação no cilindro, caem no cárter e empobrecem o óleo como um todo, ou seja, perde o efeito lubrificante duas vezes.

O óleo para motores flex reveste as gotas de água e não permitem que elasse dissolvam no óleo. Depois, esse revestimento é puxado de volta para o motor e na hora da queima essa água é queimada junto, evaporada e mandada para a natureza como vapor de água.

Uma tecnologia fascinante, que custa um pouco mais caro. Mas esse custo se traduz em melhor funcionamento e mais vida útil do motor, além de duas vezes mais durabilidade (Dez mil quilômetros para esses óleos semissintéticos, contra os cinco mil quilômetros dos óleos minerais mais baratos).

Gasolina brasileira x pura

Assunto que deveria ser corriqueiro, mas vou contar um caso que vi quando trabalhei para a assistência técnica de uma grande montadora por aqui –  – link www.velocidade.org.

Um carro novo, nem dois mil quilômetros rodados, apareceu na concessionária onde foi comprado, numa cidade do oeste do Rio Grande do Sul comum furo de pistão e requereu conserto em garantia. Foi prontamente negado.

O motivo é simples: nossa gasolina possui de 20 a 25% de álcool anidro, um álcool caro e de fácil mistura na gasolina. As ECUs de nossos carros são reguladas para esse tipo de mistura.

Na Argentina, a gasolina é pura e bem mais barata(metade do preço). O espertinho quis economizar e atravessava a fronteira para abastecer com os hermanos.

O que aconteceu é que, por ser pura, acontecia detonação, que é a explosão da mistura ar-combustível dentro do motor antes do momento, ou seja, durante a fase de elevação do pistão. Isso acontece porque a gasolina pura é mais volátil (detona mais fácil) que a gasolina com álcool anidro, e isso causou o furo do pistão.

O Brasil possui apenas um carro que pode ser abastecido nessa situação: o Fiat Siena 1.4 Tetrafuel. “Tetrafuel” quer dizer que pode ser abastecido por quatro tipos de combustível: gasolina, álcool, gás natural e…gasolina pura. Se seu carro não for um desse e o amigo(a) morar perto da Argentina, nem pense em atravessar a fronteira para abastecer. O problema será totalmente seu.

Continue com a gente e confira as 5 dicas para escolher o pneu certo para o seu carro.

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veiculosnaweb

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